Camponeses no Cerrado goiano:: resistência socioambiental e as novas ofensivas do capital

Autores

Valdir Specian

Palavras-chave:

Camponeses, cerrado goiano, Goiás, resistência socioambiental

Sinopse

Das indagações sobre as condições de vida das pessoas nas cidades e nos campos e da conservação dos ambientes, surge a pergunta que orienta o presente trabalho: é possível ter produção agrícola e ao mesmo tempo obter equilíbrio “mínimo” na relação sociedade x ambiente, permitindo que as pessoas morem no campo e de lá promovam e desfrutem desses benefícios? De forma direta, questionamos: o Cerrado pode ser ocupado e conservado ao mesmo tempo? Dessas perguntas foi elaborado o objetivo geral da pesquisa que agora é apresentada na forma de livro: identificar nos assentamentos de reforma agrária no Cerrado goiano as experiências de produção e conservação do ambiente. A pesquisa se pauta nos princípios da Geografia Ambiental e Ecologia Política. Os conceitos de território e lugar são aplicados para buscar compreender a relação dos camponeses com o Bioma Cerrado e como as disputas pelo território interferem no processo de permanência desses sujeitos, camponeses, na terra. A técnica de pesquisa participante contribuiu para o entendimento dos processos de conflitos e resistências nos projetos de assentamentos de reforma agrária, com destaque para a pesquisa realizada no Projeto de Assentamento Canudos (PA Canudos), município de Palmeiras de Goiás, no Estado de Goiás. As relações sociais e ambientais que os camponeses estabelecem em seus cotidianos apontam que é possível conceber uma outra dimensão conceitual na relação estabelecida entre os camponeses, enquanto classe social, e a conservação ambiental, definimos o conceito de Resistência Socioambiental para qualificar a prática camponesa. A pesquisa teve como fio condutor a discussão da conservação e disputa dos recursos hídricos como elemento importante na determinação da Resistência Socioambiental dos camponeses. Essa disputa pela água acontece no contexto dos “Territórios Líquidos” no Cerrado. A conservação da água nas parcelas de assentamentos é um exemplo de como os camponeses praticam a Resistência Socioambiental. No PA Canudos constatamos o processo de disputa pela terra pelos empresários do agronegócio. Os resultados apontam que ao longo da história, o assentamento se transformou em uma “Ilha de Conservação” de Cerrado em meio ao avanço das áreas de produção de commodities agrícolas. No PA Canudos compreendemos que é possível produzir alimentos saudáveis e conservar o Cerrado e suas águas, premissa fundamental para a permanência dos camponeses na terra. 

Biografia do Autor

Valdir Specian
VALDIR SPECIAN – Professor de Geografia, formado pela Universidade Estadual de Maringá – UEM. Nasceu e passou sua infância na periferia de Mauá-SP, em um bairro cheio de ladeiras que cortam os morros daquela região e são recortados pelo Rio Tamanduateí e seus afluentes. As paisagens dessa cidade da Grande São Paulo e as condições socioeconômicas das décadas de 1970 e 1980 moldaram o geógrafo e escritor. Possui doutorado em Geografia pela Universidade Federal de Jataí e atualmente é professor de Geografia da Universidade Estadual de Goiás – Unidade de Iporá. É membro do Grupo de Estudos Espaço, Sujeito e Existência – Dona Alzira; Professor do Mestrado Profissional em Rede Nacional em Gestão e Regulação de Recursos Hídricos; Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás – IHGG e Sócio do Instituto Cultural e Educacional Bernardo Élis Para os Povos do Cerrado – Icebe.

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Publicado

janeiro 13, 2026

Séries

Detalhes sobre essa publicação

ISBN-13 (15)

978-65-83606-34-1